ODE ao meu irmão Haroldo que se foi sem combinar.
Foi! Foi sem combinar com nós terráqueos mortais! Que lá foi ele se encontrar com seus parentes e amigos já idos, pois sendo espiritualizado era assim que acreditava. Mas foi sem combinar com a gente. Foi sem combinar sua ida física pra longe de nós, para o além de nós. É o tipo de descombinação doída que dói diferente e magoa, pois gera de imediato um gosto de saudade e melancolia; uma vontade de não SER. Nestas horas, a gente pensa em voar, em acessar uma justificativa, arrumar um jeito da gente se arrumar emocionalmente, considerando que ficamos para continuarmos a agir, pensar e sentir saudade. O que fica dele? Fica o que me move a escrever estas ininteligíveis e mal traçadas linhas pela lembrança da ausência física daquele que agora de longe ou de perto – não sei – pode ou não estar me vendo. Não importa! O que importa é que ele sempre esteve e sempre estará em minha memória, em todo coração, pulmões, no corpo, pois assim como ele queria, não vou chorar eternamente a sua partida, nem vou me afogar nas tantas lágrimas já choradas. Dói, mas é Lei. Dói, mas não morreu aquilo que movia seu corpo físico aqui na terra, que fazia brilhar todo seu brilho e sentimento musical, sua voz. Não morreu aquilo que nos move a todos e não morreu aquilo que movia o Haroldo. A energia espiritual e fluídica da vida jamais morrerá, pois é a VIDA. Assim entendendo, vou verter prantos por sua ausência física quando for de direito e necessário para meu conforto, pois a gente pranteia por nós próprios. E vou, eternamente, cultivar a beleza que deu a vida física(material) para ele, que deu a sua voz melodiosa pra ele nos enlevar, que deu para ele um corpo físico que por ser todo coração, causou-lhe os malefícios da vida física vivida da forma como viveu. Por isto, o pensamento do Poeta Russo Vladimir Maiakovisk, lhe cai como uma luva ou como um microfone: “Nos demais, todo mundo sabe, o coração tem moradia certa, fica bem aqui no meio do peito, mas comigo a anatomia ficou louca, sou todo coração”.
Quando nasceu, foi assim! Quando cresceu, foi assim! Quando se formou em direito, foi melhor ainda, foi mais coração! Pois quando o cerimonial quis encerrar o evento, ele tomou o microfone em suas mãos e sem avisar lavou nossa alma cantando duas músicas do Poeta Luiz Vieira: Cantiga Para Ninar Gente Grande(menino passarinho) e Paz do Meu Amor. Quem viu jamais esquecerá.
Roberto Melo Martins, simplesmente, irmão do Haroldo (07.12.1953-20.01.2010).